Bruenque.com.brESPORTESMorre aos 84 anos o lendário desportista Zé do Né; ex‑jogadores do futebol de Regeneração prestam homenagem e destacam o grande legado que ele deixa ao esporte do Médio Parnaíba

Morre aos 84 anos o lendário desportista Zé do Né; ex‑jogadores do futebol de Regeneração prestam homenagem e destacam o grande legado que ele deixa ao esporte do Médio Parnaíba

O esporte de Amarante perdeu na manhã desde sábado (7) uma de suas figuras mais emblemáticas. José Gonçalves da Silveira, conhecido em toda a região como Zé do Né, morreu aos 84 anos. Ele enfrentava Alzheimer e diabetes.

Natural do município, Zé do Né foi professor de Educação Física, funcionário público aposentado do Piauí e do Maranhão e um dos maiores nomes da história do futebol amador do Médio Parnaíba, sendo lembrado por gerações de atletas, torcedores e dirigentes.

Desde a década de 1970, Zé do Né esteve à frente do futebol amarantino, comandando diversas seleções e liderando aquela que até hoje é considerada uma das gerações mais brilhantes do futebol local.

A rivalidade entre Regeneração e Amarante marcou época, com clássicos inesquecíveis lotando os estádios Alfredão e Abmael Resende. Muitos torcedores ainda guardam lembranças desses confrontos. Para homenagear Zé do Né, o Portal Bruenque conversou com nomes importantes do futebol regenerense que conviveram com ele e ajudaram a revelar a grandeza — e também as polêmicas — do histórico dirigente.

Sentado na a mesa , ex craques do futebol de Regeneração — como Carlão, Cutelão, Rodeirinha e Zé Alvino — que conheceram de perto a trajetória do lendário dirigente e conviveram com Zé do Né, prestaram homenagem e relembraram se sua importância

Um defensor incansável do futebol de Amarante

Zé do Né dedicou mais de meio século ao desenvolvimento esportivo da região. Conhecido pela personalidade forte e defesa incondicional do futebol amarantino, para muitos ele foi a figura mais importante do esporte local e uma referência em todo o Médio Parnaíba.

“O Zé do Né deixa um legado de grande dedicação ao futebol amador, não só de Amarante, mas de toda a região do Médio Parnaíba. Ele mesmo em sua época, foi uma referência de desportista no estado do Piauí”, afirmou Amarildo Cutrim, ex‑preparador físico da Seleção de Regeneração, que conviveu com Zé do Né nos tempos dos grandes clássicos.

Segundo Cutrim, a Seleção Amarantina era temida na região durante a gestão do dirigente:

“Nos tempos do Zé do Né, a Seleção de Amarante era muito respeitada. Quando chegava às cidades vizinhas, era temida, me lembro como se fosse hoje. Tínhamos craques como o goleiro Iderlan, Nego Ducado, Damásio, Sales, o meia Fernando, Bitonho, o atacante Resisvaldo e Jarbas. Mas o mais temido era Afrânio. Quando Amarante enfrentava Regeneração e Afrânio entrava no Alfredão, dava até frio na barriga.”

Cutrim também destacou o respeito que Zé do Né tinha pelos atletas de Regeneração. jogadores como Mariola, Rogerão, Ferrerão Pé Bicho, Carlos Bugi, Favinha, Careca, Rodeirinha, Carlão, Moacir, Chico Pelanca, Chiquinho do Ditoso, Washinton, Zé Filho Soares, Augusto do Bigo e Neto de Zé Maria.

Mas seus dois preferidos sempre foram o goleiro Mariola e o zagueiro Cutelão, considerados dois dos maiores nomes da história do futebol regenerense.

“Zé do Né chamou Mariola e Cutelão inúmeras vezes para jogar pela Seleção de Amarante”, lembrou.

Intermunicipal só existiu por causa dele

O ex‑treinador da Seleção de Regeneração, Carlão, ressaltou a importância de Zé do Né para o futebol regional:

“Essa nova geração não conhece quem foi Zé do Né, mas a minha sabe. Ele foi o esportista mais dedicado e apaixonado pelo futebol que eu conheci. Durante muitos anos, o intermunicipal de seleções só existiu graças a ele. Organizava arbitragem, buscava apoio dos prefeitos, gastava do próprio bolso, mas fazia acontecer. Hoje temos a Copa Ampar, mas devemos muito ao Zé do Né.”

Uma personalidade forte, comparada até a Eurico Miranda

O ex‑jogador Zé Alvino também prestou sua homenagem ao dirigente:

Zé Alvino comparou sua postura firme à de Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco:

“Tive o prazer de jogar contra ele e também na Seleção de Amarante. Era grande amigo. Quem não conheceu o Zé do Né, mas lembra do ex‑presidente do Vasco, Eurico Miranda, pode imaginar. Eles eram parecidos no jeito de defender seus clubes. Ele brigava pelo futebol de Amarante com unhas e dentes.”

Certa vez, o zagueirão Cutelão contou, no programa Recordações do Esporte Regenerense — da Rádio Tribuna, que resgata histórias e causos do futebol de Regeneração e do Médio Parnaíba — que viu Zé do Né expulsar um árbitro de campo e colocar outro no lugar, porque acreditava que o juiz estava prejudicando a Seleção de Amarante.

Um legado imenso

Zé do Né deixa um legado monumental ao futebol do Médio Parnaíba — não apenas pelos títulos e rivalidades, mas pelo amor incondicional ao esporte, pela formação de gerações de atletas e pela construção da identidade futebolística de Amarante e da região.

Uma figura eterna na memória do futebol regional

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José Pereira

O editor e fundador do portal bruenque.com.br. Há duas décadas joga no time do jornalismo da Rádio Tribuna de Regeneração: produziu e editou milhares de matérias, reportagens e entrevistas ao longo de 23 anos atuando na área.

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