Uma noite que deveria ser comum no bairro Catumbi, em Floriano (PI), terminou em tragédia e indignação. Ester Lourrane de Castro Aquino, de apenas 12 anos, perdeu a vida após ser atingida por um disparo durante um ataque criminoso que tinha outro alvo. O caso, ocorrido na última quinta-feira (11), expôs mais uma vez a escalada da violência ligada à disputa entre facções na região.
Como tudo aconteceu
Por volta das 19h, Ester saiu de casa para participar de uma atividade na igreja. Enquanto caminhava pela rua, dois criminosos chegaram em uma motocicleta. Segundo a Polícia Militar, a mulher pilotava o veículo, enquanto o homem desceu, se escondeu atrás de um carro e aguardou o momento certo para atacar. O alvo era José Nilton Fernandes, conhecido como “Cabura”, de 32 anos, que usava tornozeleira eletrônica e já tinha histórico criminal.
Quando José Nilton apareceu, o atirador disparou várias vezes. Em meio ao caos, Ester tentou correr, mas foi atingida na cabeça. A menina morreu no local, antes da chegada do socorro. O alvo também foi baleado nas costas, mas sobreviveu e segue internado no Hospital Regional Tibério Nunes.
Motivação: guerra entre facções

A Polícia Civil confirmou que o ataque foi resultado de uma disputa entre facções rivais pelo controle do tráfico de drogas em Floriano. “Tanto os suspeitos quanto o alvo têm envolvimento com organizações criminosas. Infelizmente, a criança foi vítima de uma briga que nada tinha a ver com ela”, declarou o delegado Célio Benício, diretor de Policiamento do Interior.
Segundo ele, José Nilton havia sido preso recentemente e estava em liberdade há pouco tempo. “É um crime que choca pela brutalidade e pela consequência trágica. Garantimos que os autores serão identificados e presos”, afirmou o delegado.
Imagens e investigações
Câmeras de segurança registraram toda a ação, e as imagens estão sendo analisadas para identificar os criminosos. Até o momento, ninguém foi preso. Equipes da perícia criminal realizaram levantamentos no local, e o corpo da menina foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML).
Clamor por Justiça
A morte de Ester gerou comoção na comunidade. Moradores relatam medo e indignação diante da violência crescente. “Era uma menina doce, estava indo para a igreja. Isso não pode continuar acontecendo”, disse uma vizinha, emocionada.
Nas redes sociais, mensagens de solidariedade à família se multiplicaram, enquanto líderes comunitários pedem reforço policial e políticas públicas para conter a criminalidade. A tragédia reacende o debate sobre segurança em cidades do interior, onde facções têm ampliado sua atuação.
Um retrato da violência
O caso de Floriano não é isolado. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, os homicídios ligados a disputas entre facções têm aumentado nos últimos anos, atingindo não apenas os envolvidos, mas também inocentes. Especialistas alertam para a necessidade de ações integradas entre polícia, justiça e programas sociais para reduzir a vulnerabilidade das comunidades.
A Polícia Civil segue com as investigações e promete dar uma resposta rápida. “Estamos trabalhando para prender os responsáveis. É inadmissível que uma criança pague com a vida por uma guerra criminosa”, reforçou Célio Benício.
Ester, que sonhava em participar das atividades da igreja, tornou-se símbolo de uma realidade que precisa mudar: a banalização da vida diante da violência.



