A decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, provocou uma reação imediata dentro da corporação e ampliou a crise que hoje envolve diferentes setores do Supremo Tribunal Federal (STF). Em apoio ao delegado, 11 diretores da cúpula da PF divulgaram uma manifestação conjunta e colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad.
O afastamento foi determinado após Mendonça afirmar que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido alvo de um “monitoramento sistemático” conduzido por áreas de inteligência da Polícia Federal. Segundo o ministro, relatórios elaborados entre agosto e setembro continham análises sobre sua atuação jurisdicional e sugeriam, inclusive, a realização de “monitoramento e coleta dirigida” de informações.
Na decisão, Mendonça classificou a situação como um “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país” e afirmou que a permanência dos dirigentes poderia comprometer a apuração dos fatos. O ministro também ordenou investigações internas e suspendeu a produção de relatórios destinados a analisar atividades exercidas por magistrados, integrantes da advocacia pública e autoridades da polícia judiciária.
A resposta da Polícia Federal ocorreu poucas horas depois. Em nota, os diretores afirmaram que Rodrigues possui uma trajetória marcada por atuação “técnica, isenta e responsável” e repudiaram acusações de conduta “não republicana”. O grupo declarou ainda que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”.
O episódio ocorre em meio ao confronto crescente entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. A tensão aumentou após a divulgação de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a um contato relacionado a Moraes, no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Em reação, Moraes utilizou relatórios de inteligência da PF para apontar possíveis irregularidades na atuação de Mendonça, que contestou duramente a validade desses documentos.
No STF, a Segunda Turma formou maioria inicial para manter o afastamento de Andrei Rodrigues. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator, enquanto Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo a conclusão do julgamento. Em sua manifestação, Gilmar questionou tanto a competência da Turma para analisar o caso quanto aspectos processuais da decisão.
Enquanto o julgamento permanece interrompido, Andrei Rodrigues segue afastado da chefia da Polícia Federal. Nos bastidores, cresce a expectativa sobre uma eventual atuação do presidente do STF, Edson Fachin, para evitar que a disputa interna entre ministros produza novos desdobramentos institucionais em um momento de elevada sensibilidade política.




