Bruenque.com.brBRASILCerco se fecha sobre Moraes: novas revelações do caso Master colocam ministro diante de seu maior desafio no STF

Cerco se fecha sobre Moraes: novas revelações do caso Master colocam ministro diante de seu maior desafio no STF

A divulgação de relatórios da Polícia Federal e de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ampliou a crise institucional em torno do Banco Master e colocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro de uma crise que deve chegar ao plenário da Corte.

Os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça reúnem trocas de mensagens atribuídas a Vorcaro durante os dias que antecederam sua primeira prisão, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. Nas conversas, o banqueiro demonstra preocupação com o avanço das investigações e busca interlocução com Moraes para compreender o cenário que enfrentava.

Uma das mensagens mais comprometedoras  foi enviada dois dias antes da prisão de Vorcaro. Nela, o empresário pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Em outros trechos, ele também questiona: “O Galípolo tá sabendo?” e “Conseguimos fazer algo?”, em referência ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

As respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas pelos investigadores porque as conversas teriam ocorrido por meio de imagens de visualização única. Ainda assim, o conteúdo encontrado pela PF foi considerado suficiente para levantar questionamentos sobre a proximidade entre o ministro e o então controlador do Banco Master.

Outro eixo das investigações envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa remuneração superior a R$ 130 milhões ao longo de três anos. Metadados identificados pela PF indicam que uma versão do documento foi editada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Em nota pública, Viviane Barci afirmou que consultou o marido apenas para verificar eventuais impedimentos legais antes da assinatura do contrato. Segundo ela, a contratação ocorreu somente após a conclusão de que não existia impedimento jurídico e que Moraes jamais julgou causas envolvendo o Banco Master.

As revelações também trouxeram à tona mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com atrasos nos pagamentos ao escritório da advogada. Em uma delas, o banqueiro afirma: “Contrato mais importante que temos” e ordena que os repasses fossem regularizados imediatamente.

O caso avançou para uma nova fase quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer defendendo a nulidade do relatório produzido pela Polícia Federal. Para Gonet, a determinação de Mendonça para identificar o destinatário das mensagens teria ultrapassado os limites da atuação do magistrado. Em seu entendimento, eventuais investigações envolvendo ministros do STF dependem de autorização prévia do plenário.

Mendonça, por sua vez, afirmou que a análise do material representa um “caminho inevitável” e defendeu que a deliberação ocorra de forma pública, transparente e presencial. A decisão sobre a inclusão do tema na pauta caberá ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin.

O desfecho da maior crise da história do STF deverá definir não apenas o futuro processual do caso Master, mas também os limites institucionais para a investigação de integrantes da mais alta Corte do país.

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Um pouco sobre nós

José Pereira

O editor e fundador do portal bruenque.com.br. Há duas décadas joga no time do jornalismo da Rádio Tribuna de Regeneração: produziu e editou milhares de matérias, reportagens e entrevistas ao longo de 23 anos atuando na área.

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