Bruenque.com.brMUNDOApós a morte de Ali Khamenei, guerra entre EUA, Israel e Irã se espalha a novos países do Oriente Médio

Após a morte de Ali Khamenei, guerra entre EUA, Israel e Irã se espalha a novos países do Oriente Médio

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou nesta segunda-feira (2) em seu terceiro dia com sinais claros de que deixou de ser um confronto pontual para se tornar uma crise regional de grandes proporções. Ataques cruzados, envolvimento de milícias aliadas, incidentes com forças estrangeiras e danos a infraestruturas estratégicas mostram que o conflito já ultrapassou fronteiras políticas e militares, afetando diretamente ao menos 12 países do Oriente Médio e arredores.

O ponto de inflexão foi a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque aéreo conduzido por EUA e Israel. O episódio teve peso simbólico imediato, mas, ao contrário do que Washington esperava, não provocou a desarticulação do regime iraniano. Pelo contrário: Teerã respondeu com uma ofensiva ampla, mirando cidades israelenses, bases americanas e alvos estratégicos no Golfo.

Em pronunciamento público, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, foi direto ao rejeitar qualquer conversa diplomática: segundo ele, o país “não negociará sob bombardeio” e está preparado para um conflito prolongado. A fala contradiz declarações do presidente americano, Donald Trump, que afirmou ter sido procurado por autoridades iranianas interessadas em diálogo — versão oficialmente negada por Teerã.

Múltiplos fronts e efeito dominó

Enquanto mísseis iranianos atingiam áreas de Tel Aviv, Haifa e Beit Shemesh, Israel ampliou sua ofensiva contra o Hezbollah, no Líbano. O grupo xiita afirmou que seus ataques são uma resposta direta à morte de Khamenei. Israel, por sua vez, declarou que não fará distinção entre o Hezbollah e o regime iraniano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a liderança do grupo libanês “passou a ser alvo legítimo”.

Fumaça sobe sobre Beirute após bombardeio israelense no Líbano, realizado em resposta a disparos do Hezbollah. Imagem: Ibrahim Amro / AFP

O conflito também expôs riscos operacionais graves. No Kuwait, defesas antiaéreas derrubaram por engano três caças americanos, em um caso confirmado pelo Comando Central dos EUA como “fogo amigo”. Todos os tripulantes sobreviveram, mas o episódio acendeu alertas sobre coordenação militar em um espaço aéreo saturado por drones e mísseis.

As forças americanas confirmaram ainda a morte de cinco militares desde o início da guerra, três deles em ataques a bases no Kuwait. No Irã, entidades humanitárias locais apontam mais de 550 mortos, enquanto Israel contabiliza ao menos 11 vítimas fatais.

Energia, economia e Europa no radar

A guerra rapidamente atingiu o coração energético do Golfo. No Catar, ataques com drones levaram à suspensão da produção de gás natural liquefeito, decisão inédita para um dos maiores exportadores globais. Na Arábia Saudita, um drone atingiu uma refinaria estratégica, levando Riad a ameaçar retaliação direta contra infraestruturas iranianas.

O alcance do conflito chegou à Europa quando drones iranianos foram direcionados a uma base britânica no Chipre. França, Alemanha e Reino Unido anunciaram que estudam ações defensivas coordenadas para proteger aliados e conter novos ataques. Para diplomatas europeus, o episódio indica que o Irã busca internacionalizar o custo da guerra, forçando mediação externa.

Estratégias em choque

Trump afirmou que os ataques podem durar “quatro ou cinco semanas” e voltou a defender uma mudança de regime em Teerã, citando a experiência americana na Venezuela como referência. Analistas, porém, veem diferenças profundas entre os dois contextos. O Irã mantém coesão interna, capacidade militar ativa e aliados regionais, o que dificulta uma vitória rápida.

Especialistas apontam que Teerã tenta elevar o preço do conflito — econômica e politicamente — para forçar um cessar-fogo. Entre os riscos mais temidos está o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo.

Mesmo que o regime iraniano sobreviva, o consenso entre analistas é que o Oriente Médio já mudou. A morte de Khamenei não encerrou a guerra, mas inaugurou uma fase de incerteza profunda, com efeitos que devem se estender muito além do campo de batalha.

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Um pouco sobre nós

José Pereira

O editor e fundador do portal bruenque.com.br. Há duas décadas joga no time do jornalismo da Rádio Tribuna de Regeneração: produziu e editou milhares de matérias, reportagens e entrevistas ao longo de 23 anos atuando na área.

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