O pré-candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), está sob forte pressão política após a revelação de que pediu e recebeu recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A informação, divulgada pelo site Intercept Brasil nesta quarta-feira (13) e confirmada pela Folha e pelo Estadão, expõe uma contradição direta do parlamentar. Isso porque, há exatos dois meses, quando a Folha revelou que o número de telefone de Flávio constava da agenda de Vorcaro, o senador negou qualquer relacionamento.
Na ocasião, em 16 de março, Flávio afirmou à coluna Mônica Bergamo: “O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, sugerindo que terceiros poderiam ter repassado o contato ao banqueiro. Na prática, negou ter tido contato com Vorcaro.
A mudança de versão
Nesta quarta-feira (13), após a divulgação de um áudio em que aparece cobrando dinheiro de Vorcaro, Flávio mudou radicalmente o discurso. Em nota oficial, o senador admitiu que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024 e que pediu recursos para a produção cinematográfica.
“O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, escreveu o senador na nota.
Ele ainda declarou: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.”
Flávio também afirmou que não ofereceu vantagens em troca, não intermediou negócios com o governo e não recebeu dinheiro ou vantagem pessoal.
Reportagem da Folha de São Paulo tentou contato com a assessoria do senador às 18h50 desta quarta para questioná-lo sobre o conflito entre as duas versões, mas não obteve retorno.
Valores bilionários e reações
O montante envolvido na negociação chegou a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), dos quais R$ 61 milhões já teriam sido repassados por Vorcaro. O valor supera o orçamento de sucessos do cinema nacional, como ‘Ainda Estou Aqui’ (R$ 45 milhões) e ‘O Agente Secreto’ (R$ 28 milhões).
A revelação provocou reações imediatas no campo da oposição. O pré-candidato Romeu Zema (Novo) classificou o episódio como “imperdoável” e afirmou que se trata de “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. Já Ronaldo Caiado (PSD) cobrou “clareza” e “transparência” do senador.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou: “Acho que foi batom na cueca para ele. Fica posando de mais honesto que todo mundo e acaba tomando pau.”
Nos bastidores do bolsonarismo, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ser cogitado como eventual substituta, embora aliados do senador descartem qualquer mudança na pré-candidatura.
A assessoria do senador não respondeu aos questionamentos sobre a contradição entre as declarações de março e as afirmações feitas nesta quarta-feira.



