Em março e maio de 2023, Luciane Barbosa Farias, conhecida como a “dama do tráfico amazonense” e esposa de Clemilson dos Santos Farias, o “Tio Patinhas” — líder do Comando Vermelho no Amazonas — participou de duas reuniões no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília, a informação foi divulgada pelo jornal, o Estado de São Paulo.
Quem é Luciane Barbosa?
Luciane foi condenada em segunda instância a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e organização criminosa. Ela responde em liberdade. Seu marido, Clemilson, cumpre pena de 31 anos no presídio de Tefé (AM), sendo considerado pela polícia como um dos criminosos mais perigosos do estado.
As visitas ao Ministério da Justiça
Luciane esteve no ministério como presidente da ONG Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), que, segundo a Polícia Civil do AM, atua em defesa de presos ligados ao Comando Vermelho e é financiada com dinheiro do tráfico.
19 de março: foi recebida por Elias Vaz, secretário nacional de Assuntos Legislativos.
2 de maio: reuniu-se com Rafael Velasco Brandani, titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Ela também esteve com outros dois diretores da pasta, mas seu nome não consta nas agendas oficiais, o que gerou críticas sobre falhas nos protocolos de segurança e controle de acesso. As reuniões foram solicitadas pela ANACRIM (Associação Nacional da Advocacia Criminal), e Luciane teria participado como acompanhante da ex-deputada Janira Rocha, vice-presidente da comissão de assuntos penitenciários da entidade.
Flávio Dino nega ter recebido Luciane
O ministro da Justiça, Flávio Dino, reagiu publicamente à repercussão do caso:
– “Nunca recebi, em audiência no Ministério da Justiça, líder de facção criminosa, ou esposa, ou parente, ou vizinho. De modo absurdo, simplesmente inventam a minha presença em uma audiência que não se realizou em meu gabinete” – escreveu Dino em sua conta no X (antigo Twitter).
Repercussão e medidas
O episódio gerou forte mal-estar político e críticas. A repercussão foi imediata no Congresso. Parlamentares da oposição pediram explicações e até cogitaram um pedido de impeachment contra Dino. O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), ex-ministro da Justiça, afirmou que o caso mostra como “o crime organizado se sente confortável com o atual governo”.
Vaz e Rafael Velasco são dois auxiliares muito próximos e ligados diretamente ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.
Elias Vaz reconheceu que houve falha e assumiu responsabilidade por não verificar os nomes dos participantes da reunião. No entanto, o Ministério da Justiça afirmou que seria “impossível” detectar previamente a identidade de Luciane, já que ela não foi a requerente da audiência e estava como acompanhante de uma comitiva de advogadas.
Diante da crise, a pasta anunciou que vai adotar novos protocolos de segurança, incluindo uma portaria para regulamentar o acesso de visitantes ao prédio.
Dino é, no governo Lula, uma figura onipotente e, até onde se sabia, também um ministro onipresente em sua pasta.
Em meio à escalada da violência em estados como Rio de Janeiro e Bahia, o governo Lula vê sua política de segurança pública sob forte escrutínio.