Mais uma tragédia abalou o futebol amador do Médio Parnaíba na noite dessa quarta-feira, 10 de dezembro. O atleta Francisco Carlos da Costa Gomes, conhecido como Chiquinho, de 53 anos, natural de Água Branca-PI, faleceu após sofrer um infarto fulminante durante uma partida válida pelo Campeonato Society Cinquentão da cidade de Amarante.
O fato ocorreu durante uma partida entre as equipes do 13 de Junho de Amarante e Society, no Bairro Limoeiro, Chiquinho havia sido contratado como reforço pelo time do 13 de Junho e viajou de Água Branca especialmente para a partida.
Como tudo aconteceu

O primeiro tempo terminou 0x0. Ele jogou todo o primeiro tempo e, ao final, comentou com um amigo que não estava se sentindo bem, pedindo para ser substituído. No entanto, não relatou o mal-estar à diretoria ou ao treinador. Durante o intervalo, permaneceu consciente e conversando normalmente.
Antes do reinício do jogo, Chiquinho pediu para voltar apenas nos minutos finais, mas não mencionou que estava passando mal. Por volta de dois minutos após o início do segundo tempo, sofreu um infarto fulminante na beira do campo.
– “Quando acabou o primeiro tempo, ele estava consciente. Quando o jogo recomeçou, ele não queria voltar para o segundo tempo; pediu para ser colocado apenas faltando cinco minutos para acabar a partida. Mas também não disse que estava se sentindo mal, comentou apenas com um amigo, que também não nos avisou. Ele não falou nada para mim, e eu estava conversando com ele. Se ele tivesse dito que não estava bem e queria ir para o hospital, teria dado tempo de levá-lo, pois o hospital fica bem perto do campo, cerca de três minutos de viagem. Se ele tivesse falado, isso não teria acontecido”, relatou o treinador Noel en fala ao portal Bruenque.
Tentativas de socorro
A ambulância do SAMU foi acionada imediatamente. O jogador recebeu os primeiros socorros à beira do campo e foi levado ao hospital já inconsciente, mas infelizmente não resistiu.
Segundo o treinador Noel, se o atleta tivesse informado sobre o mal-estar, teria sido levado ao hospital a tempo, já que a unidade de saúde fica a apenas três minutos do local da partida. O médico plantonista afirmou que, se tivesse chegado consciente, haveria chances de realizar os procedimentos necessários.
“Se ele ou o amigo tivesse falado: ‘Noel, eu não estou me sentindo bem’, eu teria levado ele para o hospital na hora. Porque a gente que já tem essa idade de 50 anos, e não é só quando se a gente sente mal não, temos que procurar o médico sempre — principalmente a gente que já tem uma idade mais avançada, aí é que tem que procurar o médico. Na hora que acabou o primeiro tempo, se ele tivesse ido para o hospital, não teria acontecido isso, não teria acontecido essa fatalidade. O médico de plantão falou que, se ele tivesse chegado consciente ainda, teria dado tempo para realizar todos os procedimentos cabíveis.”
Repercussão
Após o incidente, a partida foi encerrada e os demais jogos do campeonato foram cancelados. A morte de Chiquinho causou grande comoção entre amigos, familiares e amantes do futebol amador. O velório vai ocorrer em Água Branca, sua cidade natal
“Estamos sem chão. Nosso amigo veio de Água Branca para jogar conosco, por amor ao futebol, e acontece uma fatalidade dessas. É triste demais”, lamentou o treinador Noel, do 13 de Junho.
Mais uma tragédia no futebol amador do Médio Parnaíba
Apena dois meses antes da morte de Chiquinho, 11 de outubro, Fernando Gomes da Silva, conhecido como Didi, ex-atacante da seleção de Angical, faleceu aos 36 anos após sofrer um infarto fulminante durante uma partida do Campeonato Municipal de Angical, no Estádio Poeirão.
Didi estava defendendo o Azulão contra o time da Rua Nascimento. No primeiro tempo, foi o destaque da partida: correu intensamente, marcou um gol e foi considerado o melhor em campo. Porém, no início do segundo tempo, começou a passar mal. Ele chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu.
Dois casos em dois meses

Essas duas mortes — Chiquinho em Amarante e Didi em Angical — reforçam um alerta sobre os riscos cardíacos em competições amadoras, especialmente quando não há acompanhamento médico adequado. A prática esportiva intensa, sem exames preventivos, pode ser perigosa para atletas veteranos e também para jogadores mais jovens.
Prevenção é fundamental
Especialistas recomendam:
Exames periódicos (eletrocardiograma, teste ergométrico) antes de participar de campeonatos.
Comunicação imediata de qualquer sinal de mal-estar.
Presença obrigatória de ambulância e equipe médica em eventos esportivos.
Essas tragédias mostram que o amor pelo futebol precisa andar junto com cuidados à saúde.




