Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o comando do país, fez questão de destacar o número recorde de mulheres na Esplanada dos Ministérios. No entanto, passados quase dez meses de governo, esse compromisso parece estar sendo deixado de lado. As mulheres têm perdido espaço para um grupo político que nunca ficou fora de nenhum governo: o Centrão.
Mais uma mulher deixa o Planalto
Na tarde de quarta-feira, 25 de outubro, o governo anunciou a saída de Rita Serrano, presidente da Caixa Econômica Federal. Ela é a terceira mulher a deixar o alto escalão do governo Lula em menos de um ano, todas substituídas por nomes ligados ao Centrão.
A demissão de Rita já era esperada nos bastidores. Lula decidiu atender a um pedido do Centrão, que exigia o comando da Caixa e mais espaço no governo. Quem assume o cargo é o economista Carlos Antônio Vieira Fernandes, servidor de carreira da Caixa, indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, do PP (Partido Progressista).
Mulheres atropeladas pelo Centrão
Antes de Rita, outras duas ministras foram substituídas para acomodar aliados do Centrão:
Daniela Carneiro, ex-ministra do Turismo, foi substituída por Celso Sabino, do União Brasil.
Ana Moser, ex-ministra dos Esportes, deu lugar a André Fufuca (PP-MA) durante a minirreforma ministerial.
Até agora, o único homem a ser demitido foi o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Gonçalves Dias, após o vazamento de imagens que mostraram sua presença no Palácio do Planalto durante os ataques de 8 de janeiro, sem tomar nenhuma ação para impedir os atos antidemocráticos.
Margarete Coelho foi cogitada, mas rejeitada
O nome da ex-deputada piauiense Margarete Coelho, também do PP, chegou a ser cogitado para manter uma mulher no comando da Caixa. No entanto, sua forte ligação com o bolsonarismo gerou resistência dentro do governo, e optou-se por um homem.
Clima de mal-estar entre as mulheres do governo
A substituição de Rita Serrano gerou críticas entre aliados do PT e políticos que defendem maior representatividade feminina. O discurso de Lula sobre igualdade de gênero e mais mulheres no poder, tão presente na campanha presidencial, parece estar perdendo força diante das negociações políticas.
A troca na Caixa é vista como um gesto de aproximação com o Centrão, visando apoio para aprovar pautas econômicas importantes no Congresso, como:
Taxação de grandes fortunas
Taxação de offshores
Reforma tributária
No entanto, o apetite do Centrão por ministérios não deve parar por aí. Já há discussões sobre uma possível troca na Funasa, também reivindicada pelo grupo.
Ministras que permanecem no governo
Apesar das baixas, ainda restam nove mulheres ocupando ministérios no governo Lula:
Cida Gonçalves – Ministério das Mulheres
Marina Silva – Meio Ambiente
Sônia Guajajara – Povos Originários
Esther Dweck – Gestão e Inovação
Margareth Menezes – Cultura
Nísia Trindade – Saúde
Anielle Franco – Igualdade Racial
Luciana Santos – Ciência e Tecnologia
Simone Tebet – Planejamento
Quem será a próxima vítima do Centrão?
A pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília é: quem será a próxima mulher a perder espaço para o Centrão? A pressão por cargos continua, e o equilíbrio entre governabilidade e representatividade parece cada vez mais difícil de manter