As irmãs Agatha da Silva Castro, de 24 anos, e Ingrid da Silva Castro, de 23, naturais de Teresina, foram colocadas em liberdade provisória após decisão da Justiça Federal, dias depois de serem presas em flagrante no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), no final de maio de 2023. Elas foram detidas ao tentarem embarcar para Paris com cápsulas de cocaína escondidas no estômago.
A soltura foi determinada pelo juiz federal substituto Alexey Süüsmann Pere, da 2ª Vara Federal de Guarulhos, durante audiência de custódia realizada em 2 de junho de 2023. A decisão levou em conta fatores como a ausência de antecedentes criminais, a situação familiar das rés e o parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF), que não se opôs à concessão do benefício.
O flagrante no aeroporto
O caso ganhou repercussão nacional após a abordagem feita por agentes da Polícia Federal no dia 28 de maio de 2023. As irmãs estavam prestes a embarcar no voo AF 459 da Air France quando um alerta do sistema de segurança do aeroporto indicou suspeita de tráfico. Durante a revista, uma cápsula contendo substância branca caiu da roupa íntima de uma delas, o que levou à condução imediata das duas à delegacia da PF no aeroporto.
Exames de imagem confirmaram que ambas carregavam cápsulas de cocaína no estômago. Agatha transportava 598 gramas e Ingrid, 211,6 gramas — totalizando 809 gramas da droga. Diante do risco à saúde, as jovens foram levadas a um hospital, onde a substância foi retirada com segurança.
Decisão judicial e medidas cautelares
A sentença, proferida pelo juiz Márcio Martins de Oliveira, da 2ª Vara Federal de Guarulhos, levou em consideração não apenas a gravidade do crime, mas também a situação de vulnerabilidade social das rés. Segundo os autos, Agatha é mãe de três filhos pequenos, um deles com menos de um ano na época da prisão. Ambas viviam com a avó em uma casa simples na zona sudeste de Teresina, onde mantinham um pequeno comércio de açaí.
O magistrado também considerou que não havia indícios de que as rés representassem risco à ordem pública ou à instrução criminal.
A liberdade provisória foi condicionada ao pagamento de fiança de um salário-mínimo por cada uma das acusadas. Além disso, foram impostas medidas cautelares rigorosas, como:
Proibição de deixar o país, com retenção dos passaportes;
Obrigação de comparecimento mensal ao juízo de domicílio;
Proibição de se ausentar da residência por mais de oito dias sem autorização judicial;
Manutenção de endereço atualizado e comunicação de qualquer mudança;
Aceitação de intimações por meios eletrônicos, como e-mail ou WhatsApp.
Repercussão no estado
O caso também teve grande repercussão no Piauí, especialmente após a revelação de que o pai das jovens, Clemilton Pereira Castro — conhecido como “Miltinho” — havia sido assassinado em fevereiro de 2023, poucos meses antes da prisão das filhas. Ele foi executado com mais de dez tiros enquanto dormia em casa, em um crime que, segundo a Polícia Civil, pode estar relacionado a dívidas com o tráfico de drogas.
Atualização do caso em 10 de março de 2025
Em 10 de março de 2025, a Justiça Federal concluiu o julgamento e condenou Agatha e Ingrid a dois anos e 11 meses de reclusão por tráfico internacional de drogas. No entanto, a pena foi substituída por medidas alternativas, como prestação de serviços comunitários e pagamento de multa, considerando a situação social das rés. Ambas poderão recorrer em liberdade.