Na manhã de 4 de agosto de 2023, a pequena cidade de Cândido Mendes, no Maranhão, viveu uma cena digna de novela política. O vereador Cleverson Pedro Sousa de Jesus, conhecido como Sababá Filho (PCdoB), transformou uma sessão ordinária da Câmara Municipal em um espetáculo que viralizou nas redes sociais: jogou R$ 250 mil pela janela do plenário, alegando que o dinheiro seria parte de uma tentativa de suborno feita pelo prefeito José Bonifácio Rocha de Jesus, o Facinho (PL).
R$ 250 mil voam pela janela da Câmara
Segundo Sababá, o prefeito teria oferecido uma quantia milionária para que ele renunciasse ao mandato, abrindo espaço para um suplente aliado do Executivo. Em discurso inflamado, o vereador exibiu uma mochila preta recheada de cédulas de R$ 50 e R$ 100, organizou o dinheiro sobre a tribuna e rasgou uma carta de renúncia que, segundo ele, fazia parte do acordo.
“Aqui está uma mochila de dinheiro para eu renunciar ao mandato. Eu não vou renunciar. Esse dinheiro é do povo, da saúde, da educação. Ele tem que ir para a mão do povo”, declarou Sababá, antes de lançar as notas pela janela.
Do lado de fora, a população se aglomerou para recolher as cédulas, gerando tumulto e correria. Vídeos gravados por moradores mostram pessoas disputando o dinheiro enquanto gritavam: “Joga, Sababá!”.
Repercussão
O caso rapidamente ganhou as redes sociais e chamou atenção nacional. O vereador registrou boletim de ocorrência e afirmou que levaria o caso ao Ministério Público, pedindo a cassação do prefeito. A Polícia Civil e o MP-MA abriram investigação para apurar a origem do dinheiro e as acusações de corrupção ativa.
O valor, segundo Sababá, seria 55 vezes maior que seu salário de vereador, que gira em torno de R$ 4.500. “Eu poderia ter entregue direto à polícia, mas o que eu fiz foi uma ação de revolta”, disse em entrevista à imprensa.
A versão do prefeito
Em nota oficial, o prefeito Facinho negou qualquer envolvimento e classificou o episódio como uma “simulação para criar tumulto e aparecer”. Segundo ele, Sababá seria um “inimigo político conhecido por armações”. Facinho afirmou ainda que o vereador havia protocolado uma carta de renúncia em cartório no dia anterior, mas desistiu do ato.
“Tudo não passou de um espetáculo irresponsável. Vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis para esclarecer a verdade e proteger a integridade da administração”, declarou o prefeito.
Crise política
O episódio ocorre em meio a uma crise política na cidade, marcada por disputas entre a base do prefeito e a oposição na Câmara. Em junho, quatro vereadores aliados de Facinho chegaram a ser cassados por quebra de decoro, mas foram reconduzidos por decisão judicial. O caso Sababá adiciona um novo capítulo a essa turbulência, levantando questionamentos sobre práticas políticas em municípios pequenos e a fragilidade das instituições locais.
Se confirmada a denúncia, este pode se tornar um dos maiores escândalos de corrupção do Maranhão nos últimos anos. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado já sinalizou que, caso o dinheiro seja proveniente de recursos públicos, tanto o prefeito quanto o vereador poderão ser responsabilizados e obrigados a devolver os valores.
Enquanto a investigação segue, a população de Cândido Mendes continua dividida entre quem vê Sababá como herói e quem acredita que tudo não passou de uma jogada política. Nas redes sociais, o episódio virou meme e pauta de debates sobre ética na política brasileira.
Leia íntegra da defesa do prefeito
“O Prefeito JOSE BONIFACIO ROCHA DE JESUS vem a público, acerca dos fatos envolvendo o vereador SABABA FILHO, esclarecer: primeiro, não manteve nenhum tipo de contato ou teve qualquer tratativa com esse vereador, seu notório inimigo político e conhecido por armações e criar espetáculos, para se promover; segundo, o que o prefeito soube foi que o referido vereador preparou carta de renúncia, tendo comparecido pessoalmente a um Cartório, em São Luís-MA, reconheceu sua assinatura no referido documento e o protocolou na Câmara Municipal, na tarde de ontem (03/08/2023); e por fim, o que se sabe é o que referido vereador estava desesperado, por ter tentado me cassar e não ter conseguido, por não ter fundamentos legais, tampouco quórum necessário para cassação, não tendo para este prefeito nenhuma utilidade em sua renúncia ou não, sendo insignificante a sua saída da Câmara. Tudo não passou de uma simulação para criar tumulto e aparecer”, afirma a defesa do gestor.



