Uma operação de grande porte realizada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) terminou com a morte de Wanderson Pereira de Sousa, de 36 anos, na manhã desta terça-feira (5), no bairro Alto do Balanço, em Regeneração (PI). Conhecido como “Nego Anderson”, ele era apontado como integrante da função de “disciplina” de uma facção criminosa e reagiu à abordagem policial, trocando tiros com os agentes antes de ser atingido.
Wanderson Pereira foi rapidamente levado ao Hospital Maria de Lourdes para assistência médica, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com o coordenador da DRACO, Delegado Charles Pessoa, os policiais responderam à recepção agressiva.
– “É um caso de legítima defesa. Nosso objetivo era fazer a prisão de um criminoso. Infelizmente, ele reagiu à abordagem, efetuou disparos e tivemos que conter a injusta agressão. São situações que a gente se depara. Esses criminosos não respeitam mais as forças de segurança. Tivemos um caso recente em que um de nossos policiais perdeu a vida, mas hoje, mesmo com confronto, nossos policiais voltaram para casa”, falou o delegado.
– “Ele não atendeu à voz de comando e reagiu efetuando disparos contra os policiais, fugindo para uma área de mata. As equipes fizeram o cerco, mas ele continuou atirando contra os agentes, o que nos obrigou a intervir. Ele acabou sendo atingido. Mesmo com todos os esforços para prestar socorro, infelizmente veio a óbito”, afirmou o delegado Charles Pessoa
Operação “Disciplina”

A operação, codinome “Disciplina”, que levou à morte de Nego Anderson, fez parte de uma repressão em todo o estado contra os líderes do “tribunal do crime” associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma espécie de sistema de justiça paralelo criado pela facção criminosa para garantir o cumprimento das regras internas da organização. Entretanto, as ações também envolvem tortura e execução de criminosos rivais. As punições variam de espancamentos a penas de morte, dependendo da gravidade da infração.
Wanderson Pereira de Sousa, conhecido por vários outros apelidos como “Cachorro Louco”, “Magão” e “Deus é Fiel”, era membro da unidade de “disciplina”, responsável por aplicar punições aos membros que quebrassem essas regras.
Focada em prender os membros de alto escalão do tribunal paralelo, a Operação Draco 165, também conhecida como “Operação Disciplina”, contou com o apoio de unidades de inteligência da Secretaria Estadual de Segurança Pública, da Polícia Civil e da Força Integrada de Segurança do Estado, cumprindo dois mandados de prisão nos bairros Alto do Balanço e Buritizinho.

“Este homem não era um criminoso comum”, disse o coordenador da DRACO, Charles Pessoa. “Ele ocupava uma posição chave dentro da hierarquia da facção, um papel que envolvia administrar punições para manter a ordem e a obediência entre os membros. Nosso objetivo era sua captura, não sua morte, mas, infelizmente, ele resistiu à prisão e recebeu nossa equipe com tiros. Não tivemos escolha a não ser nos defender.”
A extensa operação envolveu mais de 30 mandados de prisão e 40 mandados de busca em 13 municípios do Piauí, incluindo a capital do estado, Teresina, e os municípios de Floriano, São Raimundo Nonato, Piracuruca, Água Branca, Campo Maior, Canto do Buriti, Picos, Altos, Regeneração, Itaueira, Brejo do Piauí e Colônia do Gurguéia.
Antecedentes criminais e reputação violenta

Ficha criminal de Nego Anderson – imagem divulgação/Polícia cível do Piauí
Segundo a polícia, Wanderson Pereira de Sousa tinha uma longa ficha criminal, com acusações que variavam de homicídio a roubo, tráfico de drogas, posse ilegal de armas de fogo, agressão e receptação de bens roubados. Ele também enfrentou acusações de violência doméstica, ameaças, disparo de arma de fogo em área pública e dirigir sem habilitação. Durante a operação, a polícia encontrou duas armas de fogo em sua posse.
Em um dos últimos crimes de que foi acusado, ele era o principal suspeito de ter assassinado o padeiro de 22 anos, Wellyson de Araújo Silva, no dia 28 de julho, durante uma festa de reggae em Regeneração.
