Bruenque.com.brGERALComo um homem que levou uma surra da companheira foi parar na delegacia e terminou atrás das grades em São Gonçalo do Piauí?

Como um homem que levou uma surra da companheira foi parar na delegacia e terminou atrás das grades em São Gonçalo do Piauí?

Um episódio inusitado de violência doméstica chamou atenção em São Gonçalo do Piauí, no último domingo (17), um homem agredido pela companheira foi levado à delegacia, inicialmente vítima de agressão, acabou atrás das grades após a descoberta de um mandado judicial pendente em seu nome. O caso ocorreu por volta das 18h30, no bairro Santa Luzia, e envolveu um casal em estado de embriaguez.

De acordo com o relato da Polícia Militar, a guarnição foi acionada para atender uma ocorrência de discussão conjugal, na qual a mulher teria agredido o companheiro. No local, os policiais encontraram o casal em evidente estado de embriaguez. O homem, identificado pelas iniciais A.N.P., apresentava uma lesão na cabeça, supostamente causada pela companheira, I.P.A.

Ele foi socorrido pelo Samu e encaminhado para o hospital local. A mulher, por sua vez, confirmou à autoridade que desferiu os golpes e afirmou que não houve qualquer reação, física ou verbal, por parte do companheiro, descreveu um dos policiais envolvidos no atendimento.

Após os primeiros cuidados médicos, ambos foram conduzidos à Delegacia Seccional de Polícia Civil em Água Branca para a formalização do registro.

Contudo, o desfecho tomou um rumo diferente dentro da delegacia. A vítima optou por não registrar queixa criminal contra a autora das agressões, o que impediu a lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). No entanto, durante a rotina de consulta aos sistemas policiais, os agentes descobriram um mandado de prisão preventiva em aberto contra A.N.P., expedido pela Comarca de Piripiri.

Diante da constatação, a ordem judicial foi cumprida imediatamente. O homem, que havia chegado à unidade policial na condição de agredido, foi recolhido ao cárcere. O caso foi registrado oficialmente como “lesão corporal leve” e “cumprimento de mandado de prisão”.

O episódio ilustra uma situação paradoxal no sistema de justiça: a vítima de uma agressão instantânea foi detida por conta de uma pendência jurídica anterior.

A mulher agressora não foi autuada, devido à desistência da representação criminal por parte da vítima.

O homem agora aguarda os desdobramentos legais de suas situações perante a Justiça piauiense.

Lei Maria da Penha e a proteção contra violência doméstica

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) foi criada para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, garantindo medidas protetivas e mecanismos de denúncia. Ela é um marco importante na defesa dos direitos femininos.

Embora a lei seja direcionada às mulheres, o Código Penal e outras normas brasileiras asseguram que qualquer pessoa vítima de violência doméstica — seja homem ou mulher — tem direito à proteção e à responsabilização do agressor. Isso significa que homens também podem denunciar agressões cometidas por companheiras, familiares ou qualquer pessoa no âmbito doméstico.

Homens também são vítimas

Casos como o ocorrido em São Gonçalo do Piauí mostram que a violência doméstica não é uma via de mão única. Pesquisas indicam que, embora em muito menor proporção, homens também sofrem agressões físicas, psicológicas e patrimoniais dentro de casa. Muitas vezes, esses episódios não são denunciados por vergonha ou medo de não serem levados a sério.

Em outras palavras, a Lei Maria da Penha não se aplica aos homens, mas o ordenamento jurídico brasileiro garante mecanismos para proteger qualquer pessoa vítima de violência doméstica.

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José Pereira

O editor e fundador do portal bruenque.com.br. Há duas décadas joga no time do jornalismo da Rádio Tribuna de Regeneração: produziu e editou milhares de matérias, reportagens e entrevistas ao longo de 23 anos atuando na área.

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