Na tarde de sexta-feira, 9 de agosto de 2024, o Brasil foi abalado por uma das maiores tragédias aéreas desde o acidente da TAM em 2007. Um avião modelo ATR-72 da companhia VOEPASS Linhas Aéreas caiu em um condomínio residencial no bairro Capela, em Vinhedo, interior de São Paulo, matando todos os 61 ocupantes — 57 passageiros e quatro tripulantes.
Linha do tempo do acidente
O voo 2283 partiu de Cascavel (PR) às 11h58 com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Segundo dados do Flightradar, a aeronave atingiu 5 mil metros de altitude às 12h23 e manteve esse nível até as 13h21, quando começou a perder altitude abruptamente. Em apenas um minuto, caiu cerca de 4 mil metros, atingindo o solo a uma velocidade de 440 km/h.
A queda ocorreu no quintal de uma residência dentro do condomínio Recanto Florido. Apesar da violência do impacto, os moradores da casa escaparam ilesos. “Vi a aeronave explodindo na garagem”, relatou Luiz Augusto de Oliveira, dono da casa atingida, ainda em estado de choque.

Investigação em andamento
A Força Aérea Brasileira (FAB) e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) iniciaram imediatamente os trabalhos de apuração. As duas caixas-pretas da aeronave foram localizadas e encaminhadas para Brasília, onde serão analisadas.
Especialistas apontam que a queda em espiral pode indicar um estol — perda de sustentação das asas — possivelmente causado por formação de gelo. Meteorologistas confirmaram áreas de instabilidade e temperaturas entre -9°C e -11°C na altitude em que o avião voava, além de vento de cauda forte, o que pode ter contribuído para o acidente.
Luto nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento em Santa Catarina, pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. “Tenho que ser portador de uma notícia muito ruim. Parece que todos morreram”, disse, visivelmente consternado.
Governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Júnior (PR) decretaram três dias de luto oficial e se deslocaram até Vinhedo para acompanhar os trabalhos de resgate e perícia. Um gabinete de crise foi montado no local, reunindo forças de segurança, assistência social e representantes dos ministérios envolvidos.
Perfil das vítimas
A tragédia vitimou pessoas de diversas regiões e profissões. Entre elas, o programador Rafael Fernando dos Santos, que viajava com a filha Liz, de apenas 3 anos, para passar o Dia dos Pais juntos. Também estavam a bordo médicas residentes, professores universitários, empresários, comissários de bordo e um casal de idosos que voltava de visita a parentes.
O comandante Danilo Santos Romano, de 35 anos, era um aviador experiente, formado pela Universidade Anhembi Morumbi e com pós-graduação em segurança de voo. A comissária Rubia Silva de Lima, com 14 anos de carreira na VOEPASS, também estava entre os tripulantes.
A aeronave e sua trajetória
O ATR-72-500 é um turboélice de médio porte, com capacidade para até 74 passageiros. Fabricado em 2010, o modelo é conhecido por operar em pistas curtas e de difícil acesso. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a aeronave estava com toda a documentação em dia, assim como os tripulantes.
Apesar disso, o histórico do modelo inclui outros acidentes em regiões com condições climáticas adversas, especialmente na Ásia. A VOEPASS afirmou que o avião estava “sem nenhuma restrição operacional” no momento da decolagem.
Resgate da vítimas
O Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo foi mobilizado para realizar a identificação dos corpos, com apoio de familiares que estão sendo orientados a fornecer exames e documentos. A área do acidente foi isolada para perícia, e os trabalhos devem se estender por vários dias.
O comandante da Polícia Militar, coronel Cássio Araújo de Freitas, descreveu o cenário como “uma situação de tragédia”. “É muito triste chegar num ambiente pequeno e saber que há uma aeronave com tantas pessoas ali”, declarou.
Segurança aérea
A queda do voo 2283 reacende o debate sobre segurança na aviação regional brasileira. Embora o ATR-72 seja amplamente utilizado, especialistas alertam para a necessidade de revisão de protocolos em condições meteorológicas extremas.
A VOEPASS, em nota oficial, reiterou seu compromisso com a assistência às famílias e colaboração com as autoridades. O Ministério de Portos e Aeroportos também acompanha de perto os desdobramentos da investigação.