Bruenque.com.brMUNDOAcordo entre Israel e Hamas marca fim da guerra em Gaza, abre caminho para paz e reconstrução do território palestino

Acordo entre Israel e Hamas marca fim da guerra em Gaza, abre caminho para paz e reconstrução do território palestino

Após dois anos de conflito devastador, Israel e o grupo Hamas aprovaram a primeira fase de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia. O pacto, anunciado oficialmente na noite de quarta-feira (8) e ratificado pelo gabinete israelense na quinta (9), representa um passo importante para paz na região, com implicações humanitárias, políticas e diplomáticas profundas.

O que prevê o acordo

A primeira fase do plano de Paz, elaborado pelo presidente americano Donald Trump, inclui:

A libertação de 20 reféns israelenses vivos e a devolução dos corpos de outros 28.

A soltura de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo 250 condenados à prisão perpétua.

O recuo das tropas israelenses para uma linha intermediária, reduzindo o controle de Israel sobre Gaza de 70% para 53%.

A entrada de ajuda humanitária em larga escala, com previsão de até 400 caminhões por dia nos primeiros cinco dias.

O cessar-fogo deve entrar em vigor 24 horas após a aprovação do gabinete israelense, e o Hamas terá até 72 horas para entregar os reféns. A ONU já anunciou um plano de 60 dias para assistência humanitária, com 170 mil toneladas de suprimentos prontos para envio.

Alívio e desconfiança

Em Tel Aviv, a Praça dos Reféns foi palco de celebrações emocionadas. Famílias de sequestrados, ex-reféns e cidadãos comuns se reuniram para agradecer e comemorar. Outdoors com a frase “Obrigado, Presidente Trump” tomaram as ruas, enquanto orações no Muro das Lamentações expressavam esperança e gratidão.

“Graças a Deus, vamos acabar com esta saga, a guerra vai acabar, podemos terminar um capítulo ruim de nossas vidas e começar a nos reabilitar como nação”, disse Oz Isuk, morador de Jerusalém.

Em Gaza, o sentimento é mais ambíguo. Apesar dos gritos de alegria e danças em Khan Younis, muitos palestinos expressaram medo e descrença. “Ainda não vejo um cessar-fogo”, afirmou Awni Sami Abu Hasera, que vive em uma barraca após perder sua casa. “Assim que as fronteiras abrirem, levarei minha família e partirei, para qualquer lugar.”

Trump e o papel dos EUA

Donald Trump foi o principal articulador do acordo e já anunciou que viajará ao Oriente Médio no domingo para participar da cerimônia de assinatura. Ele também foi convidado para discursar no Parlamento israelense.

“Terminamos a guerra em Gaza e, de fato, criamos a paz em uma base muito maior. Acho que será uma paz duradoura, uma paz eterna”, declarou Trump no Salão Oval.

O plano de Trump é composto por 20 pontos e propõe, além da trégua, a reconstrução de Gaza sob um governo tecnocrático palestino, sem participação do Hamas ou da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em sua forma atual. A proposta inclui a criação de uma “zona econômica especial” e um “conselho de paz” liderado por Trump e com possível participação de Tony Blair.

Desafios futuros: desarmamento e governança

Apesar do avanço, pontos críticos permanecem em aberto. O desarmamento do Hamas é uma exigência de Israel e parte do plano americano, mas o grupo sinalizou que pode aceitar apenas um desarmamento parcial. “As armas são uma parte essencial do DNA do Hamas”, afirmou Adi Rotem, ex-oficial da inteligência israelense.

A governança de Gaza também é um impasse. O Hamas rejeita a ideia de um governo de transição liderado por Trump, e a ANP exige reformas para assumir o controle. O presidente palestino Mahmoud Abbas declarou que deseja “paz, segurança e estabilidade”, mas não há consenso sobre quem administrará o enclave.

Impacto político em Israel

Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o acordo representa uma reviravolta política. Após meses de críticas pela condução da guerra e pela demora na libertação dos reféns, ele agora tenta capitalizar o cessar-fogo como uma vitória.

“Se ele pudesse antecipar as próximas eleições para daqui a uma semana, ele o faria”, afirmou o analista Asaf Shariv.

Netanyahu enfrenta eleições até outubro de 2026, mas pode antecipá-las. Analistas apontam que ele tentará usar o retorno dos reféns e o apoio de Trump para fortalecer sua posição, apesar da oposição interna, especialmente da ala de extrema direita de seu governo.

Repercussão internacional

Líderes mundiais celebraram o acordo. Emmanuel Macron chamou o pacto de “passo histórico” e elogiou o empenho pessoal de Trump. A ONU, por meio de António Guterres, afirmou que “soluções para conflitos não são encontradas no campo de batalha”.

O Brasil também se manifestou oficialmente, saudando o acordo e destacando o papel dos EUA. Em nota, o Itamaraty afirmou que o pacto “deverá interromper os ataques israelenses contra Gaza” e defendeu a solução de dois Estados.

Trump não leva o Nobel da Paz — prêmio vai para líder da oposição venezuelana

A mediação do acordo de paz entre Israel e Hamas reacendeu as esperanças de Donald Trump em conquistar o Prêmio Nobel da Paz. Indicado por países como Israel, Camboja e Paquistão, o presidente dos Estados Unidos apostava que seu papel decisivo nas negociações poderia pesar a seu favor.

Mas Trump não escondeu sua expectativa — nem sua frustração. Em fevereiro, declarou publicamente:

“Eles nunca me darão um Prêmio Nobel da Paz. É uma pena. Eu mereço, mas eles nunca me darão.”

E, de fato, ele estava certo em sua previsão — e, mesmo com o impacto global do acordo entre Israel e Hamas e de ter feito intensa campanha, o Comitê Norueguês do Nobel seguiu outro caminho. O prêmio foi concedido à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, reconhecida por sua luta pela democracia e pelos direitos civis na Venezuela.

Apesar das conquistas diplomáticas, especialistas apontam lacunas em seus acordos e criticam o estilo belicista do presidente. “Há uma enorme diferença entre fazer com que os conflitos acabem no curto prazo e resolver as causas profundas”, afirmou Samir Puri, do Chatham House.

Uma paz frágil, mas possível

O acordo entre Israel e Hamas representa um avanço significativo, mas ainda é apenas o início de um processo complexo. A libertação dos reféns e a entrada de ajuda humanitária são vitórias imediatas, mas o futuro de Gaza, o desarmamento do Hamas e a criação de um Estado palestino continuam sendo desafios monumentais.

Como disse o secretário-geral da ONU, “este avanço nos mostra o poder e o potencial da diplomacia”. Resta saber se os envolvidos terão a disposição necessária para transformar essa trégua em uma paz duradoura.

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José Pereira

O editor e fundador do portal bruenque.com.br. Há duas décadas joga no time do jornalismo da Rádio Tribuna de Regeneração: produziu e editou milhares de matérias, reportagens e entrevistas ao longo de 23 anos atuando na área.

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